Boletim do Tempo

O tempo é fugidio. Mas essa coisa intangível e invisível, que teima em escapar, também tem uma história. Contá-la é útil, porque ajuda a suprir um déficit de reflexão que parece ser maior hoje do que no passado. Afinal, quem tem tempo para pensar no tempo? Dizem que a impressão de que o tempo é escasso aumentou de forma proporcional ao aumento da possibilidade de reduzir ou anular o tempo: aviões encurtaram a distância e o tempo, telefones também, assim como os computadores e a Internet. O paradoxo é que a promessa de reduzir o tempo para fazer determinadas tarefas ajudou a preencher o tempo com mais e mais tarefas. Será que nos tornamos “cronodependentes”? Procuramos mil maneiras de poupá-lo para fazer mais e mais coisas e continuamos precisando do tempo?

E onde está o tempo? Onde podemos encontrá-lo? Há tempo no espaço? Na natureza? Poetas e filósofos escreveram sobre o tempo. Escritores tentaram descrevê-lo e procuraram pelo tempo perdido. Tentaram até prever o tempo. Artistas o representaram. Físicos contaram, mediram o tempo. Matemáticos calcularam. Músicos cantaram o tempo e o controlaram. Historiadores tentaram apreender o “espírito do tempo”, descrevendo, ordenando e narrando, acreditando que um dos seus olhos (a cronologia) via o tempo, enquanto o outro (a geografia) via o espaço. Profetas pregaram o fim dos tempos. Fim dos tempos, fim da história? Será possível falar do tempo sem utilizar metáforas? Com certa frequência, utilizamos alguma noção espacial. Será possível falar do tempo sem imagens? Sem a reta ou o círculo? Sem ruínas ou ossos? Sem corpos? Quão concreto pode ser o tempo?

O Boletim do Tempo quer promover a conversa entre os campos do conhecimento e também com o espaço escolar, considerando o lugar que o tempo ocupa em cada um e em nossas vidas. Convidamos à leitura e à escrita sobre os múltiplos aspectos desse importante tema, oferecendo mensalmente uma contribuição. Esperamos que sirva como estímulo para uma reflexão em vários níveis de ensino e pesquisa.

 

Coordenação:

Francine Iegelski, Helena Mollo e Rebeca Gontijo